SUCESSÃO GOIÁS PÓS-BOADYR
Um grande bloco contra Abner Curado
Oposição articula para criar uma única frente contra o prefeito, que está politicamente isolado na cidade
O processo de sucessão na cidade de Goiás se ressentiu da morte do ex-prefeito Boadyr Veloso (PP), ocorrida na quarta-feira, 28. Boadyr liderava as pesquisas de intenção de votos na cidade — seguido do prefeito Abner Curado (PMDB), o Biné, e da pré-candidata do PT, Selma Bastos Pires. A partir deste novo quadro, o presidente do PT, Aguinel Lourenço Fonseca, passou a acreditar na possibilidade de formação de um grande bloco de oposição ao PMDB, que incluiria o PV e o PC do B, que já são aliados do PT, legendas com as quais os petistas já vinham conversando, como PR, PSB e PMN, além dos partidos que compõem a coligação do PP: PAN, PT do B e PTN.
A liderança de Boadyr Veloso nas pesquisas impunha aos demais partidos de oposição interessados em uma aliança com o PP, liderados pelo PT ou pelo PSDB, a condição de coadjuvantes no processo. A tese de Aguinel Fonseca considera que o PP não tem outro candidato tão bem-colocado nas pesquisas que poderia substituir Boadyr Veloso, o que levaria os progressistas a discutir com as demais legendas em condição de igualdade. A nova conjuntura em Goiás permite, na opinião do presidente do PT, a construção dessa grande frente de oposição a Biné Curado.
Aguinel Fonseca conta que o PP já acenou que pode vir a participar desse grande bloco e que as legendas de oposição já tiveram uma primeira reunião, em que teria ficado acertado que a definição do candidato a prefeito se daria por meio de pesquisa. Além de Selma Bastos, o bloco discute os nomes dos pré-candidatos Vandré Santana (PSB), Joaquim Berquó, o Joaquim da Farmácia (PPS), Nilton de Souza (PR) e Anajarino Garcia Júnior (PTB). "Se conseguirmos formar um bloco maior a partir da base do presidente Lula isso vai facilitar a disputa", observa o presidente do PT. Essa disposição do PT em “ouvir” as pesquisas na maioria das vezes não passa de oratória. Dificilmente o PT decide por apoiar outro candidato e, em Goiás, vem defendendo essa tese porque a pré-candidata petista, Selma Bastos, é uma das mais bem colocadas nos levantamentos de intenção de votos.
A tese de um grande bloco também tem eco na segunda frente de oposição a Biné Curado, liderada pelo PSDB e DEM. Segundo o advogado Gustavo Isaac Pinto, pré-candidato tucano, o PSDB está conversando com todos os partidos de oposição, inclusive com o PT, visando construir uma grande frente de oposição ao prefeito. "Vamos tentar lançar candidatura única até o último momento porque não podemos nos dividir muito e repetir o erro de 2004." Na opinião de Gustavo Isaac, Selma Bastos foi uma excelente secretária de Educação e é uma excelente candidata: "Ela tem carisma".
A vice-presidente do PSDB, Telma Godinho, também disputa dentro de seu partido a oportunidade de ser candidata a prefeita. "Ainda não definimos o candidato porque estamos esperando a orientação do senador Marconi Perillo." Segundo ela, o critério para escolha do nome será a pesquisa. O melhor colocado será indicado candidato do PSDB. Telma Godinho, que foi vereadora e vice-prefeita de Boadyr Veloso, confia em seu desempenho nas pesquisas: "Estou muito bem-colocada".
Mas a mais bem-colocada nas pesquisas até agora é a pré-candidata do PT, Selma Bastos Pires. Além de figurar na terceira posição nas pesquisas que incluíam Boadyr Veloso, a professora Selma, como é conhecida, tem o apreço da maioria dos partidos de oposição, inclusive do PP e PSDB. Sua passagem pela Secretaria de Educação na administração de Boadyr Veloso é elogiada por grande parte das lideranças políticas da cidade. Segundo Selma Bastos, o PT está disposto a conversar com todas as legendas de oposição para criar um grande bloco de partidos. "Temos apenas um adversário: o prefeito Abner Curado."
Mas a disposição de PT e PSDB em estarem do mesmo lado não é bem visto pelas lideranças nacionais e regionais dos dois partidos. Uma eventual aliança entre tucanos e petistas tem que passar antes por uma avaliação da cúpula do PT. E o fato de o PSDB ser aliado ao DEM dificulta mais uma aproximação entre tucanos e petistas em Goiás, uma vez que há uma determinação formal das duas legendas que proíbe alianças entre democratas e petistas em qualquer âmbito.
O discurso da oposição é o mesmo e está afinado. Segundo os petistas, o prefeito Biné Curado faz uma administração “desastrada”, o que o levou a constar da lista de 11 prefeitos indiciados pela Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema) por crimes ambientais relacionados à coleta e destinação do lixo. Além disso, o prefeito teria desativado o Hospital São Pedro para favorecer o Hospital Brasil Caiado, que é de sua família. "Vivemos uma insegurança enorme em relação à saúde e, no passado, já fomos referência regional", observa o advogado petista José do Carmo, que foi candidato a prefeito pelo PT na eleição passada. Segundo ele, a população está diminuindo porque não há estímulo ao emprego e o destino é a cidade vizinha, Itaberaí, que enquanto Goiás regredia, se tornou um pólo agroindustrial. José do Carmo conta que até o convênio com a UFG, que vinha sendo regularmente renovado desde 1989, deixou de ser assinado na atual gestão. "A Faculdade de Direito quase fechou em 2005." Isso explica, segundo o tucano Gustavo Isaac, a grande rejeição de Biné Curado. "Ele fica em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, mas tem uma rejeição que chega a 60 por cento."
Mas essa grande frente de oposição pode não se consolidar. O PP está articulando uma chapa com o PPS na qual Joaquim Berquó pode vir a ser o candidato a prefeito e o cardiologista Márcio Caiado (PP), filho de Brasílio Caiado, o vice-prefeito, ou vice-versa. O melhor nas pesquisas ocupa a cabeça da chapa. Segundo um pepista da cidade, a negociação com o PPS está adiantada e não há nenhuma possibilidade de aliança com o PT em Goiás, contrariando as afirmações dos petistas.
A oposição afirma que o prefeito Biné Curado está isolado politicamente. Conta apenas com o apoio de partidos nanicos como o PSC. Foi impossível entrar em contato com o prefeito para que também opinasse sobre a atual conjuntura política de Goiás tendo em vista sua sucessão. Ele não foi encontrado na prefeitura e nenhum dos diversos recados deixados pela reportagem do Jornal Opção foi retornado. O mais provável é que Abner Curado dispute a reeleição, mas tudo indica que enfrentará uma oposição muito bem articulada.
No final de uma entrevista, um dos pré-candidatos brincou: “Goiás é ‘curável’. Incurável mesmo é a gestão de Biné”.
Um grande bloco contra Abner Curado
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